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Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida em 2025

ResumoUnicef revelou que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número equivale a 15% dos bebês globalmente. Conflitos armados, pobreza extrema e cortes de financiamento em 65 países explicam a estagnação na cobertura vacinal infantil.

Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa 15% dos bebês do mundo. Conflitos, pobreza e cortes de financiamento explicam a estagnação em 65 países.

Escrito por Sofia Marinho · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.
  • O número representa 15% dos bebês do mundo.
  • Conflitos, pobreza e cortes de financiamento explicam a estagnação em 65 países.
Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida em 2025

Cerca de 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês nascidos no período, os chamados "zero-dose" no estudo. Outras 7,3 milhões de crianças não tiveram o ciclo básico completo, que exige três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

O levantamento, intitulado Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, aponta que 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP em 2025, 750 mil a mais que em 2024. Apesar do avanço numérico, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose em patamar próximo ao de 2009, abaixo do período pré-pandemia, aumenta o risco de surtos de doenças.

Fatores de risco: conflitos, pobreza e hesitação vacinal

O relatório mostra que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora essas regiões abriguem apenas um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o estudo.

Entre os 195 países que enviaram dados, 65 permaneceram estagnados ou retrocederam na cobertura vacinal desde 2019. Desses, 13 são classificados como frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade. A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, afirma que "milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza".

Sarampo: cobertura abaixo do seguro

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Em 2025, 84% das crianças receberam a primeira dose, mas apenas 77% completaram com a segunda (MCV2). O limite considerado seguro pela OMS é de 95%. No mesmo ano, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

Países de renda média e alta também retrocedem

Um dos achados menos esperados do relatório é a queda da cobertura em países de renda média e alta, explicada por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1: na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019; na Bósnia e Herzegovina, a queda foi de 23 pontos percentuais em 2025, após o maior aumento da cobertura da MCV1 da região no ano anterior. Ambos são regiões estáveis com melhora sustentada em outros indicadores de acesso à saúde.

Brasil: exceção na contramão

O Brasil apresenta melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, estimadas hoje em 50 mil. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos cinco anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

Financiamento sob pressão

O estudo informa que as bases que possibilitaram o progresso na imunização estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, contra 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019. "O grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde.

vacinação infantil no Brasil

Perguntas Frequentes

Quantas crianças no mundo não receberam nenhuma vacina em 2025?

Foram 13,5 milhões de crianças zero-dose, segundo dados compilados pelo Unicef.

O que significa "criança zero-dose"?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida.

Quantos países melhoraram a cobertura vacinal?

Dos que estavam abaixo de 90% em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos.

Por que a cobertura caiu em países de renda média e alta?

Por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal.

Qual a situação do Brasil na vacinação infantil?

O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil, mas a DTP-3 mantém cobertura de 86%.

Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?

Mais de 411 mil casos, com surtos em 57 países.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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